sábado, 3 de julho de 2010

Desejo de dizeres

Quis abraçar minha consciência
ela não se deixou agarrar
Passou tão longe, tão sinica
Dizendo dizeres
Atuando atos
Amando desamores
Fatiando fatos

Passou tão longe ensinando
Que a sina não se ensina
Que o viver não é vivo
Que não se apega ao desapego
Que em plena verdade eu minto

Minha consciência me mostrou
Que na cara não tem carinho
Que o uso não é ousado
Que na dor não tem espinho
E o querer mal me quer

Me deixou claro
que pra viver há de se morrer
que o desespero é o que me espera
E que é na tristeza que
a felicidade anda só e infeliz

Minha consciência me falou
da sua ora companheira, ora inimiga
a loucura
Diz não viver sem ela
Pois, ou é as duas juntas
ou é infelicidade
Ou aceito, ou me assusto

Me fez crer também
que é isso ou não tem aquilo
Que uma vez que as perca
Só resta aguarda e aguar;
Pois a espera é áspera
E o remorso remará por anos
No aguar dos olhos.

Alice F.
 
Já faz um bom tempo que escrevi esses versos, eu já havia me esquecido inclusive... Encontrei a folha que eles estavam, postei e só.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O que sinto : Não sinto!


A existência agora consome meu ser
Não vejo mais solução
Não vejo mais nada
Não sinto vida em nada
Não sinto vida em mim

O que sinto são esses vermes
Que estão buscando a minha carcaça
A minha carne
Os meus restos

Esses vermes quem são?
São essas pessoas mesquinhas e sem valor
Que estão esperando meu fracasso
Para gozarem do que eu (não) fiz

Mas ora, quem são?
São seres que se julgam superiores
Que levantam falsos julgamentos
E pensam estar certo
Quando na verdade, estão cegos

Eu não poderia deixar
De forma alguma eu deixaria
Sou forte, sou persistente
Acredito em mim

Huum... Acho que não

De qualquer forma
Ainda tenho ideais
Tenho sonhos
Tenho cérebro, consciência
Olhos, boca, nariz...

Tenho minha literatura
Minha arte, minha historia
E minha filosofia

E, ainda tenho
Sem sentir, sem saber, sem questionar
Minha vida, minha existência
Para cuidar
E não deixar cair em mãos de vermes

Alice F.

Lápide

Aqui jaz alguém que não teve coragem de lutar contra o que lhe fazia mal, que não teve coragem de assumir o que queria, que não teve vontade de lutar pela felicidade, que esperou de braços cruzados cada dia passar, acreditando na melhora, mas sem nada fazer, que escutou a todos mesmo não querendo, que não se desprendeu do que lhe incomodava, que não conseguiu surpreender ninguém, que não mudou nada, que não fez diferença nenhuma, que não teve atitude, que não teve opinião própria, que não foi forte, ou, se fez de fraca, que não consegui fazer ninguém bem nem feliz, que não teve quem a amasse inteiramente e sinceramente, que não conseguiu um amor sem interesses, que não mudou nada, que não ajudou em nada, que não prejudicou ninguém,muito menos ajudou alguém, que não deixou lembranças nem boas nem ruins, que não deixou dividas, que não deixou amigos tristes, que não deixou família triste, que não deixou ninguém de maneira nenhuma, a não ser o descanso de quem não precisara mais pagar por nada que ela faça... Enfim, aqui jaz alguém que não foi ninguém... 

Alice F.

PALAVRAS DE UM (QUASE) CADÁVER FRESCO:


Quando meu fim chegar
Quero falecer com estilo
Falecer no melhor estilo “artista popular”
Com os pulmões obscuros
Escarrando sangue

Escreverei algumas cartas
Com meras lembranças
Palavras de fácil compreensão
Confissões inconfessáveis
E algum pedido de desculpa, porque não?

Vertem minhas lagrimas
Somente quando estou sozinha
Compartilho tudo o que quero
Com o meu televisor
Amigos me adoram
Quando estou longe
Todos ligam para mim
Quando tenho o dinheiro que eles necessitam

Se em vida não me valorizam
Não notam sequer minha ausência
Quem sabe se eu bem morrer
Morrer de uma forma marcante
Alguém notara
E terá curiosidade em ler meu atestado de óbito

As pessoas só valorizam alguém
Depois que ela se vai
Qualquer cadáver se torna perfeito
Fica cheio de amigos
São esquecidas as dividas

Aqui neste mesmo lugar
Espero que a doença apodreça meus pulmões
Espero o sangue podre sair pela minha boca
Espero toda a febre virar suor
Espero minhas vistas nada verem
Então a fraqueza aumentara cada vez mais
E eu, tubércula, enfim verei meu fim. 

Alice F.

Dia todo (e mais um pouco).

Dia intenso de mormaço
Descansando no terraço
Imagino  seu abraço
E minha alegria n'um traço
Saio daquele espaço
Me arrumo com um laço
Caminho um pedaço
Voltar eu ameaço
Mas sigo sem cansaço
Na sua rua eu passo
Vejo você e desfarço
Meu coração não é de aço
E na sua frente me embaraço
Pois amor tenho de maço
E pra te dar nem sei o que faço...

Espero que meu poema escasso
Não demonstre meu fracasso
Em te querer por acaso
E receber apenas descaso.

Alice F.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Esse post é mais pessoal mesmo, só pra "uma" pessoa.

Nada além  

Frejat

Você não quer ver nada além do seu umbigo
E eu quero ver o que há depois do perigo
Você acha que ninguém sofre mais do que você
Talvez porque não saiba ao certo o que é sofrer
Ando pelas ruas cheirando a fumaça dos motores
Enquanto você fantasia suas dores de amores


Você não quer ver nada além
Que ninguém ensina nada a ninguém
Você não quer ver nada além
Que ninguém ensina nada a ninguém

Você não quer ver nada além do seu mundinho
 

E eu prefiro escrever meu próprio caminho
Você acha que ninguém sofre mais do que você
Talvez porque não saiba ao certo o que é sofrer
Você sonha ser princesa em castelos fabulosos
Enquanto eu vago na cidade entre inocentes e criminosos


Você não quer ver nada além
Que ninguém ensina nada a ninguém
Você não quer ver nada além
Que ninguém ensina nada a ninguém


Fique com os seus bonsais, seus haicais
Sua paz, suas flores, seu jardim de inverno

Se isso é céu
Eu prefiro meu inferno.


 Essa letra do Frejat resumi bem o que eu sinto! Agora é sem poesias, sem frases formadas, sem a "mascara da sabedoria". Cansei desse mundo tão cheio de fantasias e da falta de promessas. Tenho dó só de uma pessoa, daquela que acredita totalmente em tudo que ouve! 
Sinceramente, eu sou muito melhor que algumas pessoas inuteis juntas.
 "Olha onde eu cheguei, olha de onde você NÃO passou!" (Isso foi pessoal!)
Sim, eu sou arrogante, leia Sartre, vc vai entender o que eu falo!

domingo, 10 de janeiro de 2010

O que se faz quando não há o que fazer ?!

Poois é... dias sem colocar nada aqui, mas to ai. Praia com chuva é isso, não se tem o que fazer. Eu jogo um carteado com meu pai, assisto um filme e passo o resto do dia na net (emocionante né ?!). Hoje, depois de ler (ou reler) uma poesia de alguém muito legaal aí, curiosamente senti minha vontade de escrever voltar. Sim, eu que andava tão realista, tão meio cheia de nada, escrevi! Não sei se ficou bom, mas para quem passou por um momento tão frio e sem vida já é um começo. Sem delongas aí vai:

Ser assim


Heey moço
O que você 'tá' fazendo ?
Eu quero muito viver
Mas aos poucos vou morrendo

Heey moço
Qual é tua intenção ?
Mal vivo a minha vida
Mas quero viver no teu coração


Heey moço
Me conta o que você sabe ?
Não importa o que é
Só quero que esse amor não acabe

Heey moço
Porque você 'tá' demorando ?
Não te espero porque quero
É espera inconsciente,
É porque estou te amando

Heey moço
Minha espera vai ter fim ?
'Tá' tão dificil, moço

Esse amor já não cabe em mim!

Ahh moço...
Tem pergunta que não se exclama
E eu não quero solução
Tem vida nos olhos de quem se ama
E o que eu mais quero é alcançar teu coração.

Tem um certo moço que sabe que eu escrevi pensando unicamente e exclusivamente nele. Obrigada por me inspirar e trazer contigo minha vontade de escrever...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Sempre vale a pena (re)ver!


Laranja Mecânica é a melhor sátira à hipocrisia social que eu ja assisti. Cínico, irônico, hipócrita, transgressor, torpe,genial, poético, intrigante e unico, só poderia ser uma obra dirigida por Stanley Kubrick,uma obra sim, ao meu ver, um dos poucos filmes que merece titulo de obra! Trata-se da história de Alex deLarge (MacDowell), lider de uma gangue de delinquentes juvenis que matam, roubam e estupram, e após ser traído pelos membros de sua gangue, é capturado pela policia. Já preso, se oferece a um tratamento que o "condicionará ao bem". Livre do mal, ele é solto para uma sociedade que vingar-se-ia. A sociedade que considerou Alex um criminoso violento e perigoso se revela ao fim tão violenta quanto ele. A prisão para o qual ele é enviado com o objetivo formal de ser "regenerado" é, nas palavras do governador, "um instrumento de punição". O "tratamento" ao qual Alex é exposto para torná-lo "bom" se mostrara um instrumento de desumanização muito mais perigoso do que o próprio comportamento "mal" de Alex. Já vi muitos dizerem que Alex, ao fim do filme, é um sujeito curado e reintegrado à sociedade, mas considero que aqueles que o enxergam assim acabaram por perder o ponto da abordagem cínica de Kubrick. Alex na verdade continua, ao meu ver, sendo o mesmo delinqüente do início do filme, agora "intocável",amparado por padrinhos poderosos.MacDowell, excelente ator que raramente é bem aproveitado, é aqui soberbo ao ponto de nunca mais ter se livrado de seu personagem. Os demais atores sãotodos excelentes, apesar de nenhum deles ter tempo em cena suficiente para desenvolver seus personagens.O trabalho de criação da violenta Inglaterra futurista também é perfeito. A combinação da direção de arte, figurinos, com a excelente fotografia de John Alcott cria uma imagem de futuro realista como poucos do cinema. Por fim, o trabalho impecável de direção de Kubrick. Tematicamente, é um grande ataque à hipocrisia.
Foi exibido em Londres em 1970 e lançado mundialmente no ano seguinte,menos no Brasil, graças a um ''regime'' que emagrecia a cultura e por medo segurança repreendia qualquer forma de expressão.O filme só foi liberado para exibição no Brasil em 1978 em cópias ridiculamente censuradas.
 




quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Poesia barata Curitibana


você pára
a fim de ver

o que te espera
só uma nuvem

te separa
das estrelas

Paulo Leminski


Foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 uma biografia de Bashô. Sua obra tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 20 anos. Leminski é o principio de um tempo em que Eu pensei estar crescendo, marca todas as fases da minha vida, e a minha forma suscinta de escrever; tem parte nos meus medo e meus méritos; tem influência em meus amores e mais ainda em meus desapegos. Enfim, por ter vivido acima de sua própria arrogancia, influenciou-me conjulgar a gramática da vida com outros verbos...